Vem saber tudo sobre ternos, vem?


25/07/12
Na(s) categoria(s): Glossário de Roupas/Acessórios | Postado por Diandra Fernandes às 5:52

E aí, sabe qual é a diferença? Bom, no MEU glossário moda significa duas coisas: a indústria como um todo, que trocando em miúdos tem a ver com tudo e todos que trabalham neste meio, seja na produção, criação e showcase de tecidos e estampas, coleções exibidas, roupas e acessórios disponibilizados nas araras em cada estação como também quem trabalha na divulgação, nas mídias, nos desfiles, nas lojas, enfim… tudo e todos que façam parte dos ciclos e círculos da moda.

E tem também a moda do virar moda, o modismo que vem a ser aquilo que bomba numa estação ou num período (in)determinado de tempo, algo que as pessoas adotam pra usar e se populariza. Ou kind of. E isso vale pra roupas, comportamentos, brincadeirinhas ou qualquer outra coisa que seja adotado por um grande número de pessoas num determinado momento. E sim, pode ser medido também por tribos. Por exemplo, o SongPop ou o DrawSomething virou febre na internetland pra muitos (não todos) mas que para quem não frequenta este meio (sim, ainda existe uma tribo destas) é algo ainda desconhecido, nunca visto ou pra outros como eu, conhecidos mas nunca nem experimentados. Passando pra moda, no modo indústria de… Sabe camisa xadrez que virou peça sine qua non nas últimas temporadas e que são favoritadas por 9 (tá uns 7) entre 10 dos dudes modernos? Taí uma outra moda-moda que se sacramentou.

E antes da camisa xadrez virar esta moda, lá atrás, um dia ela foi tendência. Ou seja, foi algo que foi relançado (estava morgando há um tempo no fashion spa) ou reapareceu em alguma passarela ou rua (fashion ou não) timidamente ou com certa prevalência, se fez notar e alguém (ou alguéns) do mundo da moda tagueou como uma tendência. O que em outras palavras quer dizer um candidato a virar uma possível moda ou conquistar o seu lugar ao sol no mainstream, se alastrar, se popularizar quer seja pelas mãos das fashion people ou por grande parte de quem consome moda.

E veja bem, tendência não é uma palavra somente de moda, é uma palavra que é usada em todos os meios, em todos os mercados pra indicar qual é o caminho que aquele segmento está tendendo a trilhar. Se vai ou não vingar, só o tempo e o desejo do consumidor em adotar tal trend dirá. Porque sim, quem populariza ou dá status de modismo a algo é justamente quem decide consumir e não a távola redonda da moda. Estes só sacam what is going on e “apostam”. Se vão levar ou não a mesa, depende da mão que o consumidor jogar. Por exemplo, há uns anos, logo depois que o colete virou moda e deu uma leve saturada (por aqui ele ainda estava começando a pegar) a GQ cravou que ele seria artigo OUT pra nova estação, porque já tinha dado e tal. Mas este decreto não vingou, tanto é que ele continua aqui e ali, às vezes mais forte outras mais discreto, já surgiram outros modelos de, mas pro spa fashion onde ele estava fazia anos ele ainda não voltou. E se vai voltar, são vocês que consomem as roupas masculinas que vão determinar.

Dito isso, no mundo da moda (leia-se indústria de) o que acontece é que moda e tendência (trend) viraram meio que sinônimos. E lá fora você não fala que algo virou moda utilizando a palavra moda (fashion) e sim trend e seus derivados, como ON trend, trendy… E estas variações servem pra taguear o que está bem cotado, bombando ou são os hot items do momento (must-haves da estação) ou as apostas pra que determinadas peças ou looks virem um. Aliás, trend é usado também em outros mercados pra determinar qual é a do momento. Como o twitter e o seu TT.

E revistas, jornais, lojas mil cada qual tem lá as suas listinhas dos bem-cotados e até dos já-saturados, que nada mais é do que o reflexo da natureza da indústria que é cíclica e precisa destes INs (ON trends bombando ou a bombar) e OUTs (peças fadadas a passar um tempo no spa fashion) pra dar um gás próprio pra que ela continue alive and kicking. E ciclando, que como eu disse, é a sua natureza, como de ups and downs vive o mercado financeiro. O que acontece é que o timing destes ciclos mudou. A internet trouxe uma velocidade na disponibilização da informação escrita e visual e acho que as pessoas ainda estão se adaptando a isso. Daí que fica tudo meio misturado e parece que a moda virou uma salada revirada onde tudo vale.

Há um tempo surgiu o papo de que não existia mais esta coisa de tendências (bom, pra tribo que nunca se norteou por elas, elas por exemplo nunca existiram, indeed, já pra quem era da tribo trend on, estava aí mais uma trend to try), mas porque as pessoas esquecem o real significado da palavra que é esta do caminho a ser possivelmente trilhado naquele segmento. Porque uma ausência de tendências ou a liberdade de usar a que você desejar sem aquela antiga ditadura da moda seria uma ON trend anyways. E de entender que tentar medir as coisas como elas eram “antigasmente” num tempo como o de hoje onde o boom do street style e do celeb watch abriu uma janela toda especial pra fashion outsiders e insiders acompanharem com lentes de aumento o nascimento das tendências, a variação que a faz perdurar por mais de alguns cliques até as fatídicas férias no spa fashion is totally OUT. Pelo menos for now. Porque do mesmo jeito que dar uma olhada no street style foi algo refreshing and oh, so cool no começo e que acabou flexibilizando mais esta coisa de ON trends, abrindo mais espaço e uma maior demanda por novidades, hoje em dia anda meio saturado. Há uns dias eu li por aí na media gringa um artigo se indagando justamente sobre isso. Porque quem trabalha com moda sabe que se tem uma coisa que é a sure bet in fashion é justamente a sua natureza cíclica. As coisas precisam girar somehow pra que se refresquem/renovem, pra dar um descanso ou reanimada no que saturou, isso faz parte do business.

Agora, se quiserem os meus dois cents… acho que tendência nunca foi tão ON trend como tem sido lately, principalmente no fashion world. Everywhere. Como sempre foi. Quer dizer… O que acontece é que nessa dá pra saber quem de fato tem estilo, quem é trend setter (lançadores de tendências) e quem é simplemente um fashion follower maniac.

Abrindo um adendo aqui: esta é a natureza da moda, indústria, não a natureza do estilo pessoal. Digamos que moda é a oferta do momento enquanto o estilo é (ou deveria ser) a procura. Ou seja, a moda (indústria) precisa destes INs e OUTs pra dar um gás e continuar girando. E enquanto ela gira, as pessoas deveriam se valer do seu estilo, filtrando o que está disponível no momento pra aí então pescar dentro do que ela oferta o que tenha a ver com cada um. E aí amigo você estará consumindo a moda do jeito certo pra você. E dificilmente se tornará uma vítima da moda. Se bem que quem viveu nos anos 80 sabe que isso pode ser inevitável, às vezes… hehehe

E já que a gente está falando de ciclos da moda… o ciclo da moda masculina é diferente da moda feminina. Isso porque os homens demoram mais pra adotar algo que eles não têm visto faz um tempo ou nunca viram. E este processo pode levar algumas estações a mais pra ser efetivado enquanto que pras mulheres muitas vezes é computado direto. Lembro bem do longo drama que foi reimplantar a ideia do tal do colete no inconsciente coletivo masculino. Dito isso, o que eu tenho visto é que apesar deste processo mais demorado parece que a moda masculina e a feminina têm andado juntas. Muita ON trend dos dudes na listinha das mulheres. E como tem esta defasagem, parece que eles acabam indo ao mesmo tempo pra listinha pra já da estação. De ambos.

Aliás, a moda feminina anda dando altas olhadas no que acontece na moda masculina, justamente porque com este boom de informação de moda imediata, diária ao invés de mensal ou esporádica como era nos tempos que só tínhamos revistas ou programas semanais na TV, o como se usa algo, o detalhe passou a ser mais valorizado pra dar um gás extra e fazer perdurar algo que com este novo timing poderia virar OUT num clique. De mouse. E se valer do detalhe é algo que faz parte do arsenal masculino. E esta nova opção de ver a moda também tem ajudado o lado masculino a se acostumar mais rápido com alguma eventual novidade.

O que falta no Brasil, IMO, é a indústria, as lojas em especial calibrarem o seu timing com o timing do seu consumidor. Mas pra isso elas precisam sacar quem eles são pra saberem o que eles estão querendo quando eles estiverem querendo pra colocar nas araras no tempo certo. E não muito antes só pra dizer que estão in sync com o que surgiu lá fora e nem muito tempo depois que cansam de procurar. Porque né, timing is everything. Inclusive, ou melhor, especialmente na moda.





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